﻿# MDR: o que é a taxa da maquininha e como ela se divide no arranjo aberto
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Site: JUST Fintechs
Autor: Gabriel Pires
Categoria: Cartões
Publicado em: 2026-04-23
Atualizado em: 2026-04-23
Tags: mdr, taxa da maquininha, intercâmbio, adquirência, emissão de cartão
## Resposta curta
MDR (Merchant Discount Rate) é a taxa total que um estabelecimento comercial paga à adquirente a cada venda com cartão. No arranjo aberto, o MDR se divide em três pedaços: o intercâmbio, que vai para o emissor do cartão; a tarifa de bandeira, que remunera Visa, Mastercard, Elo ou American Express; e a margem do adquirente, dono da maquininha. No Brasil, o MDR médio em crédito fica entre 2% e 3% e em débito entre 1% e 2%.
# MDR: o que é a taxa da maquininha e como ela se divide no arranjo aberto

## Resposta direta

MDR (Merchant Discount Rate) é a taxa total que um estabelecimento comercial paga à adquirente a cada venda com cartão. No arranjo aberto, o MDR se divide em três pedaços: o intercâmbio, que vai para o emissor do cartão; a tarifa de bandeira, que remunera Visa, Mastercard, Elo ou American Express; e a margem do adquirente, dono da maquininha. No Brasil, o MDR médio em crédito fica entre 2% e 3% e em débito entre 1% e 2%.

## O que é o MDR

Quando o estabelecimento passa o cartão do cliente e recebe R$ 98 em vez dos R$ 100 da venda, os R$ 2 de diferença são o MDR. É a taxa da maquininha. É o preço que o estabelecimento paga para ter o cartão aceito no ponto de venda.

A sigla vem do inglês. Merchant Discount Rate traduz literalmente para "desconto do comerciante". O nome reflete a lógica original do sistema: o estabelecimento aceita receber um valor um pouco menor em troca da segurança de não lidar com dinheiro físico, da conveniência para o cliente e da garantia de recebimento.

O MDR não é um número único. Ele varia por produto (crédito, débito, pré-pago), bandeira, setor do estabelecimento, volume de faturamento e poder de barganha do lojista. Uma rede grande negocia MDR de crédito em 1,5%. Um pequeno comerciante paga 3,5% na mesma transação.

## Como o MDR se divide no arranjo aberto

O MDR parece uma taxa única, mas por dentro é uma cesta. Três atores dividem o valor:

- **O emissor do cartão** fica com a maior fatia, via intercâmbio. É quem sustenta a relação com o portador do cartão, cobre fraude e inadimplência, paga cartão físico, tokenização e atendimento. Recebe em geral 60% a 70% do MDR.
- **A bandeira** (Visa, Mastercard, Elo, American Express) fica com uma fatia menor, cobrando tarifas próprias de processamento, roteamento e uso da marca. Geralmente 5% a 10% do MDR.
- **O adquirente** (Cielo, Stone, Rede, Getnet e outros) fica com o restante, que é a margem de operação da adquirência. Paga a maquininha, o credenciamento do estabelecimento, a conciliação e as campanhas comerciais. Tipicamente 20% a 35% do MDR.

A tabela abaixo mostra como uma venda de R$ 100 em crédito à vista costuma se distribuir. Os valores são aproximações de mercado e variam conforme o programa do cartão e a negociação do estabelecimento.

| Item | Valor aproximado | % do MDR |
|---|---|---|
| Venda bruta | R$ 100,00 | |
| MDR total (2,5%) | R$ 2,50 | 100% |
| Intercâmbio (para o emissor) | R$ 1,65 | 66% |
| Tarifa de bandeira | R$ 0,20 | 8% |
| Margem do adquirente | R$ 0,65 | 26% |
| Líquido para o estabelecimento | R$ 97,50 | |

Se for crédito parcelado, o MDR sobe porque entra o custo financeiro de antecipação. Pode ir a 3,5% ou mais. Se for débito, cai, porque o débito tem teto regulatório de 0,5% para intercâmbio e margens menores no pacote todo.

## Por que cada ator tem interesses diferentes

Aqui aparece a parte que muita gente ignora. O MDR é onde emissor, bandeira e adquirente puxam corda pra lados distintos.

O emissor quer intercâmbio alto. Quanto maior a fatia que fica com ele, mais vale a pena ter o cartão na carteira do consumidor. Por isso existem cartões black com intercâmbio de 1,9% a 2,0%. A bandeira incentiva esse produto porque o emissor consegue bancar benefícios premium.

A bandeira quer volume e frequência. Ganha em toda transação, independentemente de quem seja o emissor ou o adquirente. Tem interesse em aumentar aceitação, popularizar contactless, expandir tokenização. Cada uso gera tarifa.

O adquirente quer mais estabelecimentos e mais transações, mas com margem apertada. O mercado de adquirência no Brasil é brutal. Stone, Cielo, Rede, Getnet, PagBank e um exército de subadquirentes brigam por lojista. A margem despencou nos últimos dez anos. Por isso os adquirentes criam produtos laterais (conta digital, antecipação, crédito para o lojista) que rendem onde o MDR puro não rende mais.

Quem é emissor precisa enxergar esse jogo. O intercâmbio que você vai receber é uma função de onde você se posiciona nesse ecossistema. Não adianta projetar 1,5% olhando só a tabela. Precisa entender se a sua operação vai receber o intercâmbio cheio, se vai perder fatia pro sub-sponsor, se a bandeira vai te dar incentivo ou não.

## Quem define o MDR

No arranjo aberto, o MDR é negociado entre o adquirente e o estabelecimento. Um açougue na esquina paga uma coisa. O Magazine Luiza paga outra. Um e-commerce grande paga outra.

O que o adquirente faz é pegar o custo fixo que ele tem (intercâmbio + tarifa de bandeira) e adicionar a margem dele. Como intercâmbio e tarifa de bandeira são definidos por tabelas públicas das bandeiras, o adquirente basicamente negocia a margem dele com o lojista. Isso significa que quanto maior o estabelecimento, mais ele comprime a margem da adquirência.

Há uma regra do BACEN que diz que o adquirente não pode discriminar emissores. Se aceita Mastercard, precisa aceitar todos os emissores Mastercard nas mesmas condições. Se aceita Elo, precisa aceitar todos os emissores Elo. Essa regra é o que sustenta o arranjo aberto e o que permite que fintechs pequenas emitam cartão que passa em qualquer maquininha do país.

## MDR vs intercâmbio: a confusão que custa projeção errada

Muita gente que começa a modelar uma operação de cartão olha para o MDR e acha que esse é o valor que o emissor recebe. Não é.

O emissor recebe só o intercâmbio. O MDR é a taxa que o lojista paga no total. A confusão aparece quando alguém vê uma tabela de MDR de 2,5% e projeta receita no P&L com esse número. Erra em 30% a 40% na primeira linha.

Para esclarecer:

- **MDR** é o que o estabelecimento paga.
- **Intercâmbio** é o que o emissor recebe.
- **Tarifa de bandeira** é o que a bandeira cobra.
- **Margem da adquirência** é o que o adquirente fica.

MDR = intercâmbio + tarifa de bandeira + margem da adquirência.

Se você quer estimar a receita do seu cartão, olhe a tabela de intercâmbio da bandeira escolhida. Não o MDR médio do mercado. Os dois números moram em camadas diferentes. Para entender a fundo esse cálculo e o impacto na margem, veja o [guia de intercâmbio de cartão](/conteudos/intercambio-de-cartao).

## Onde o MDR está indo

Nos últimos anos, o BACEN apertou alguns parafusos:

Teto de 0,5% para intercâmbio de débito. Isso puxou o MDR médio de débito para baixo.

Teto de 0,7% para intercâmbio de pré-pago (circular de 2023). Puxou o MDR médio de pré-pago para baixo também, o que redistribui receita no ecossistema e força emissores de pré-pago a repensarem o modelo.

Criação do Pix e sua popularização acelerada. Pix não tem MDR (ou tem MDR próximo de zero, dependendo do meio). Isso reduziu o volume relativo de débito no país. Muitas operações que projetavam receita de débito em 2019 tiveram que recalibrar inteiramente depois de 2021.

O resultado é um mercado onde o MDR continua sendo a principal tarifa de cartão, mas com cada vez mais concorrência de outras trilhas de pagamento e regulação apertando. Quem vai emitir cartão hoje precisa entender que o jogo mudou. A lógica antiga, de pré-pago com intercâmbio polpudo, saiu da mesa.

## Como isso afeta quem está modelando uma operação de cartão

Três coisas práticas para quem está montando o business case:

- **Primeira coisa: foque no programa certo.** Crédito corporativo (cartão comercial) continua rendendo bem. Crédito consumidor faz sentido se tiver público de alto ticket. Pré-pago só faz sentido em voucher (alimentação, refeição) ou em nicho muito específico.
- **Segunda: olhe para o perfil de uso.** Um usuário que transaciona R$ 2.000 por mês em crédito paga os custos fixos. Um que transaciona R$ 300 não paga. A matemática do MDR só fecha com frequência e ticket.
- **Terceira: conheça seu take rate real.** Se você opera via [BIN Sponsor](/conteudos/bin-sponsor-o-que-e), seu intercâmbio líquido vai ser o intercâmbio bruto da bandeira menos take rate do BaaS (quando houver), menos imposto. Cheque o número final, não o de topo.

O MDR alto parece gordo. No fim do ciclo, a margem que sobra para o emissor é mais apertada do que muita projeção indica.

## FAQ

**O que é MDR em cartão de crédito?**

MDR (Merchant Discount Rate) é a taxa que o estabelecimento comercial paga por cada venda feita com cartão. Em crédito à vista, fica em média entre 2% e 3%. Em crédito parcelado, pode chegar a 4%. Em débito, entre 1% e 2%.

**Qual é a diferença entre MDR e intercâmbio?**

O MDR é a taxa total que o estabelecimento paga. O intercâmbio é a fatia do MDR que vai para o emissor do cartão. O MDR também inclui a tarifa da bandeira e a margem do adquirente. Intercâmbio costuma ser 60% a 70% do MDR total.

**Quem define o valor do MDR?**

O valor do MDR é negociado entre o adquirente (dono da maquininha) e o estabelecimento. Como intercâmbio e tarifa de bandeira são fixados por tabelas, a negociação acontece na margem do adquirente. Lojistas grandes conseguem MDR muito menor que pequenos comerciantes.

**O MDR é o mesmo para crédito e débito?**

Não. Em crédito, o MDR é maior porque o emissor assume risco e o adquirente antecipa pagamento em 28 dias. Em débito, o MDR é menor porque a liquidação é mais rápida e o teto de intercâmbio do BACEN é mais baixo.

**Pix tem MDR?**

Não no formato tradicional. Pix direto entre pessoas físicas é gratuito. Pix entre pessoa jurídica e pessoa física pode ter tarifa negociada com o banco ou instituição de pagamento. Os meios de pagamento baseados em Pix (como Pix garantido e Pix automático) podem ter tarifas variáveis. Em média, bem abaixo do MDR de cartão.

**Posso cobrar MDR do meu cliente?**

Desde a resolução do CADE em 2017, é permitido ao estabelecimento oferecer preços diferenciados por meio de pagamento. Quer dizer, você pode cobrar mais de quem paga no crédito do que de quem paga no débito ou Pix. Na prática, isso virou comum em e-commerces e em lojas com tíquete alto.

**O que é sub-MDR?**

Termo usado para quando um subadquirente ou uma plataforma intermediária (por exemplo, uma vertical SaaS com pagamentos embutidos) cobra do estabelecimento um percentual acima do MDR do adquirente principal. A diferença é a margem da plataforma.

**Qual é o MDR da Apple Pay e Google Pay?**

Não existe MDR específico de Apple Pay ou Google Pay no lado do estabelecimento. O MDR é o do cartão por trás da carteira. O que existe é um custo adicional que a Apple cobra do emissor (cerca de 0,15% da transação mais tarifa mensal por cartão ativo). Google Pay e Samsung Pay não cobram do emissor.

## Próximo passo

Se você está estruturando uma operação de cartão e precisa entender como o MDR afeta seu P&L, vale rodar a conta completa com números reais de intercâmbio, take rate e custos unitários. A JUST ajuda fintechs e empresas a desenhar essa estrutura. [Fale com a gente](/contato) para montarmos o seu cenário.
